Weigl, Florentino & Transferências

By @_Helner

Há pouco mais de dois anos, Julian Weigl pisava o Estádio da Luz pela primeira vez. Na altura era visto como um dos médios mais promissores na Europa e frequentemente associado ao interesse de vários clubes grandes. 

O seu critério com bola, visão e recursos técnicos no jogo posicional de Tomas Tuchel faziam dele um dos jogadores essenciais num Borussia Dortmund preocupado em ter bola, em gerir o ritmo de jogo e que queria atacar independentemente da equipa contra quem estivessem a jogar. O certo é que, com o treinador alemão, Julian Weigl estava destinado aos grandes palcos da Europa.  

Os treinadores que vieram após a saída de Tomas Tuchel não davam prioridade a um médio-defensivo com as suas características. A equipa sofria em transições e consequentemente o internacional alemão era exposto, pela sua falta de dinamismo – que se agravou com a sua lesão no tornozelo.

Weigl no Benfica

Depois de épocas onde as suas exibições foram abaixo da sua capacidade, o Benfica apresenta-se como um clube excelente para “relançar” a sua carreira. À partida, o campeão português controla quase todos jogos com bola e a liga não é tão agressiva quanto a Bundesliga. Mas, até agora, as exibições do médio ainda estão muito aquém das expectativas.

Isto porque o modelo de Bruno Lage também não é favorável para o jogador alemão. Aquilo que o diferencia dos outros é a sua qualidade no passe e critério para encontrar a melhor solução (principalmente na fase de construção), e a organização ofensiva tem sido o maior problema do treinador português. 

Sendo que frequentemente não há linhas de passe para progredir, o internacional alemão perde influência no processo ofensivo e soma poucas ações com bola comparativamente ao jogador com quem faz o duplo-pivot:

Weigl & Taarabt (3 jogos): Respetivas médias de toques por jogo – 61,3 e 62;

Weigl & Gabriel (3 jogos): Respetivas médias de toques por jogo – 53,3 e 87,67;

Weigl & Samaris (1 jogo): Respetivas médias de toques por jogo – 67 e 83;

(SofaScore)

O jogador alemão beneficia de ter linhas de passe à sua frente e ao jogar num duplo-pivot sofre as consequências de jogar num sistema que não lhe é favorável. Nos casos do Gabriel e do Samaris, são jogadores que também necessitam de estar de frente para o jogo e ter vários toques na bola durante o jogo. Já o Taarabt, posiciona-se várias vezes de forma a oferecer linhas de passe para avançar no terreno e é dos poucos jogadores no plantel capazes de fazer a diferença entre linhas. 

Defensivamente o médio alemão tem sido muito sólido até agora, mas ainda mostra muitas dificuldades a parar oponentes sem recorrer a faltas. É driblado 2,3 vezes por jogo (WhoScored).

Weigl vs Florentino Luís

O jogador formado no Benfica começou muito bem a época, especialmente logo no primeiro jogo oficial, contra o Sporting para a Supertaça. Todos esperávamos que fosse a sua época de afirmação no clube e assim parecia até se lesionar contra o Braga em Setembro, o que o levou a falhar 6 jogos. 

Quando Florentino voltou de lesão, por alguma razão que desconhecemos “cá fora”, deixou de ser aposta para o treinador do Benfica. Algo que que me pareceu estranho, pois apesar das suas exibições (e da equipa) na Champions League não estarem ao nível desejado, trata-se de um dos jovens com maior potencial em Portugal. E pouco depois surge a contratação de Julian Weigl.

Como expliquei acima, no meu ponto de vista, trata-se de uma contratação que não traz muito ao clube. Até porque o próprio Florentino encaixa melhor neste contexto do que o Weigl. 

Nas ações defensivas, o luso-angolano é bastante superior e ofensivamente não há muita diferença entre os dois jogadores. O  camisola 61 pode não ter os mesmos recursos técnicos e qualidade de passe que o alemão mas já mostrou ter uma leitura de jogo muito acima da média, uma reação à perda muito forte e raramente é exposto em transições. A sua facilidade em ir ao chão também é notável e as suas intercepções e roubos de bola ajudavam bastante no jogo da equipa. Uma crítica que lhe faço é que podia assumir mais riscos e aprender a mascarar melhor a sua intenção com bola.

(WhoScored)

Conclusão

Uma das melhores coisas da equipa sob o comando de Bruno Lage na época passada era a sua reação à perda, que era uma grande valia para prevenir transições. Esta época tem havido muitas dificuldades nesta vertete, principalmente nestes últimos 2 meses (Janeiro-Fevereiro).

Não culpo o Weigl pelos resultados e exibições recentes, pois o coletivo em si não está a jogar ao mesmo nível de antes, mas acredito que o Florentino é uma opção melhor para a equipa. 

Além disso, parece-me que é cada vez mais visível que falta um plano no Benfica. O scouting tem vindo a piorar nos últimos anos e maior parte das compras simplesmente não fazem sentido. Há contratações que não encaixam no estilo de jogo da equipa e uns simplesmente não chegam a jogar, o que é hilariante.

No verão, independentemente de sermos campeões ou não, é extremamente importante que haja uma reorganização do plantel.

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